
A solidão
Ei, onde estavas?
Chamei cinco vezes por teu nome
E tudo o que me veio foi o silêncio (detesto-o)
Este que me diz coisas que guardo
Nas sombras de minha mente
O silêncio é como o escuro
Mostra-nos o que não queremos ver
O escuro é solitário, assim como todos nós
Assim como o silêncio é sóbrio
Este sou eu, um solitário ser
No escuro do silêncio

Ser ou ser
Fique quieto e me escute
Ao menos uma vez
Deixe-me falar o que sinto
O que não sinto
No que creio
Do que tenho medo
Estou aqui de peito aberto
Prometendo pela primeira vez
Te contar o que escondo
Me expor de corpo e alma para ti
Deixe eu te contar ao pé do ouvido
O que guardo à sete chaves
Escondo de ti
De mim
Afinal, conhece a ti mesmo?
Pois tenho eu medo de me conhecer.
Descobrir que sou alguém que não esperava
Alguém que não quero ser.
Eis-me aqui, pedindo-lhe perdão
Tentei, eu tentei sentir
Mas não controlo meu vagabundo coração
Este que se enganou
Que te enganou
Não queria que fosse assim
Pudera eu me apaixonar verdadeiramente
Ou, melhor ainda..
Queria eu amá-lo, de verdade
Mas tudo o que faço é fingir
Finjo eu que te amo
Finjo eu que me importo
Parte meu frio coração
Ao te ver chorar
Por isso digo-lhe agora, de braços abertos à provar:
Eu não sei amar
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Pink Floyd - Wish You Were Here
(Source: emperadorsandia, via quartifusa)

A chuva caia fortemente do lado de fora do quarto de Selena, tocando o vidro da janela e criando um som alto e incômodo. A doce menina de apenas vinte anos, cabelos negros que cobriam grande parte de seu ombro e seios, pele pálida por evitar encontrar-se com a luz do sol e corpo magro, refletia sobre seus últimos dias e tudo que neles tinha feito. Sua vida mudara drasticamente em questão de horas e, ela simplesmente não podia fazer nada à respeito. Seus olhos encheram-se de lágrimas e a mesma balançou sua cabeça como um reflexo para espantar seus sombrios pensamentos. Pegou um pote de remédios que roubou do armário de sua mãe e o abriu, fechando os olhos e preparando-se para dar o fim à sua tão estúpida vida. Um barulho mais perturbador que o da chuva batendo em sua janela fez com que os batimentos de Selena acelerassem. Seus olhos se arregalaram e se viraram para a porta. Ele estava ali, fitando-a seriamente. Seus olhos normalmente castanhos encontravam-se negros, devido à escuridão do quarto. Sua pele bronzeada estava apagada, sem graça. Ele respirou fundo e se aproximou de Selena, que se jogou para trás em reação aos seus movimentos. Apesar de ele ter sido o seu primeiro e único amor, depois de tanto tempo longe, ela não sabia mais o que pensar dele. Não sabia qual era a sua motivação para voltar desta maneira.
— O que você está fazendo aqui, Chris?
— Sempre estive aqui, Selena. — sua voz era quase irreconhecível depois de tanto tempo.
— Tá louco? Você me abandonou faz três anos Chris, três anos.
— Só porque sumi aos seus olhos, não significa que tenha sumido de tua vida. — ele sentou ao seu lado.
— O que você está dizendo? — ela perguntou, confusa. — Está louco?
— Eu sempre estive cuidando de você, Selena. Segui teus passos, olhei por ti, evitei problemas… Eu ainda te amo.
— Você me ama? Você me abandonou quando eu mais precisava. Vai à merda! — ela o empurrou e levantou, se direcionando à porta.
— Não tenho tempo para explicar. Mas eu fiz isso porque era o melhor para você. Não pode ficar comigo, entenda.
— Me poupe desta conversinha Chris, sério. — ela girou os olhos e abriu a porta — Agora saia daqui, eu tenho que dar fim à algo.
— Você realmente vai dar fim à sua vida? — ele franziu a testa e se aproximou dela, novamente — Sabe quanto eu lutei para te proteger? Você não entende, Selena, mas eu abri mão de estar ao seu lado e ter os prazeres da vida para te proteger. Você corre perigo, muito perigo e não tem a mínima noção disto.
— Do que você está falando, Chris? — ela arqueou sua sobrancelha direita.
— Eu não posso te explicar tudo agora, mas apenas entenda três coisas. A primeira é que existem seres sobrenaturais escondidos entre nós. A segunda, eu sou o encarregado de proteger a humanidade deles. E a terceira, e mais importante: eu preciso de você viva.
Minha cabeça
Entrei em meu quarto aflita. Nunca o vi tão bagunçado desta maneira. Claro que antes ele tinha algumas bagunças, mas nada tão espalhafatoso quanto agora. Fechei meus olhos e respirei fundo, tomando forças para arrumá-lo de vez. Abri os olhos e toquei uma de minhas velhas roupas — de quando tinha mais ou menos 6 anos — e a guardei. É sempre bom ter lembranças da infância. Arrastando-me pelo pequeno quarto, me deparei com um colar que ele me deu no nosso primeiro encontro. Passei minha mão pelo pequeno pingente de coração e todos os momentos que passei ao seu lado apareceram, como cenas de um filme. Isolei o colar para fora do meu quarto, junto com todas as coisas que me lembravam ele. Olhei um copo de vidro quebrado que deixei no canto de minha cama para depois tirar, mas esqueci por algum motivo. Juntei os cacos em minhas mãos e os fitei. Este representava todos os erros que venho a cometer desde minha juventude. Eu não posso evitar as consequências de ter quebrado o copo e muito menos, posso esperar que ele volte ao normal. Mas eu posso seguir em frente sem ele e substituí-lo por copos de plástico. Sentei em minha cama e respirei fundo, mais uma vez. Olhei em minha volta e vi que agora meu quarto estava livre de todas as tralhas que eu fiz questão de deixar durante todo este tempo. Finalmente pude crescer, assumir minha culpa e querer mudar. Nada adiantará para mim ficar parada esperando que alguém arrume meu quarto. Se eu quero que este fique bem, devo eu mesma livrar-me de tudo de inútil que o ocupa.

Respirei fundo e abri meus olhos, um choque de realidade me tomou quando ele passou uma de suas mãos em meu rosto. Fechei meus olhos novamente e mordi meus lábios. Queria controlar minhas palavras, meus sentimentos, mas por alguma razão, eu ainda sentia a mesma coisa por James Halften. Eu ainda tremia toda vez que ele olhava em meus olhos, tocava minha pele, beijava-me os lábios.. Minha alma e corpo imploravam para que fosse recíproco, que ele precisasse de mim. E então, a dor tomava-me assim que eu me lembrava que ele não sentia o mesmo por mim. Que toda a intensidade que eu sentia de nosso amor, vinha apenas de minha mente. Apesar de John olhar em meus olhos e jurar toda vez que me amava tanto quanto eu o amava, eu sabia que ele não sentia o mesmo por mim e isso me matava por dentro. Ele estava ao meu lado, mas eu me sentia sozinha.

Querida Anne, eu não sei como escrever uma carta pois isto nunca foi preciso. Não sei começar, desenvolver e muito mesmo terminar. Você sabe bem que eu não sou dos melhores quando se trata de se expressar. Mas eu estou aqui tentando, porque você me ensinou que o melhor remédio para quem não sabe se expressar é escrever.
Então, eu estive reparando atualmente e sempre que você sai por um longo tempo, todos os objetos desta casa tomam vida. Não ri Anne, é muito sério! Ontem eu fui até a cozinha e escutei o relógio zombando comigo. Ele me dizia que o tempo passaria três vezes mais lento quando você estiver longe. Eu corri ate o nosso quarto e deitei em nossa cama. E bem, ela também zombou de mim. Mas desta vez ela não disse nada, apenas cresceu. Sim, ela cresceu. O vazio que você deixou ao partir se tornou ainda maior. Sei que estou parecendo louco e bem, talvez eu esteja, mas ficar sem você é como se eu ficasse sem mim. Eu preciso de você ao meu lado. Eu te amo Anne. Me desculpe se estou parecendo um louco, mas eu quero que volte para mim e seja meu complemento. Eu não aguento mais sentir teu cheiro e não ter o teu toque. Sinto sua falta.
Com amor e muitas saudades, John.
Meu maior medo é querer voltar atrás depois de tudo o que aconteceu.